Neste palco imenso, e por vezes tão vazio, da incomparável existência, assumimos calmamente os papéis que nos dão... ou então, fingimos que os criamos, concebendo personagens pensadas à medida do nosso sentir. Iludimo-nos no desejar de uma construção modelada, que resulta sempre em personagem-tipo! Na verdade, pretendemos apenas impressionar o nosso público, na avidez dos aplausos que nos impulsionarão de novo para o palco.
Não sei bem porquê, mas hoje apetecem-me banalidades, palavras ocas de sentido, pensamentos insignificantes, gestos perdidos por entre nada! Hoje, não quero a representação.
Queria, mesmo que por breves instantes, SER! Ser isto que sou desde o início, sem ensaios preparatórios do que não quero ser... queria a simplicidade da frase de António Lobo Antunes "Que lugar-comum sou."! Queria, no observar consciente de mim, a certeza de que sou sem-personagem... Queria, na imperfeição deste pretérito, transformar o meu papel num real indicativo.
Enfim... meras banalidades de mim.
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