Ensaio pelo Romantismo...

(foto de José)

Há palavras que, ao longo dos tempos, se vestem de novos significados. É essa também a beleza de uma língua que se quer viva.

No entanto, e na minha humilde asserção, existem palavras que deviam rejeitar variações semânticas. Ser romântico não pode colar-se a galanteios ornados de flores, nem a corações trespassados das setas desnorteadas de Cupido, tão pouco a lágrimas vertidas defronte de imagens cinematográficas. Não! Ser romântico é um estado de espírito, herdado desse momento único na cultura universal.

O Romantismo é o meu período literário. Desenhar palavras à sombra da subjectividade intensa... agrupar versos na ânsia de evasão... ver surgir o poema da mais pura imaginação que peleja a razão... sentir a obra como um acto de criação que não imita cânones... exaltar a paixão do "Eu" sem receio de vozes críticas... isto, sim, é ser romântico... simplesmente.

Hoje, imbuída da minha condição romântica, fui professora orgulhosa da minha individualidade. Ecoaram na minha mente essas palavras descontextualizadas (ou não) da personagem Poeta, da magnífica obra de Goethe: "Quem sabe reintegrar na ordem do universo/O ser que se revolta ou que é transgresso?"

Não saberá, certamente, reintegrar-me a personificação da prepotência; não saberá a surdez hiperbólica; não saberá a perífrase de um discurso vazio de consciência; não saberão os governantes anafóricos do meu país!

Aprecio sem medida esse período romântico... onde cada Poeta (ou cada Ser?) entendia a sua existência como a busca de um mundo melhor, onde os homens pudessem sentir o domínio da Justiça...

14 comentários:

Paola disse...

Quem sabe se eles não apostam na teimosia da imitação, sem perceber a "personificação da prepotência"?

Também eu "fui professora orgulhosa da minha individualidade"... contigo!

Beijos

Paulo disse...

Um mundo melhor?? Um sonho, talvez... a prepotência continua.

Beijo minha amiga.

PJB

Conde Vlad Drakuléa disse...

Há que se separar o pseudo-romantismo hollywoodiano do romantismo real, verdadeiro... Agora, porque será que a imaginação e a razão raramente se entendem né?
Governantes "anafóricos" está excelente, he,he,he, realmente, "catafóricos" é o que eles não são meeesmo,
E voltando ao texto em si Graça, o período romântico ao qual tu se referes é a época de Goethe certo?
Beijos muuuuuitos deles mesmo :***

Renata Maria Parreira Cordeiro disse...

Graças, estou morta, por isso não comento.
Fiz postagem no Galeria. E não se esqueça de ir nos meus outros 2 blogs:
poemas e canções
http://poemasscancoes.blogspot.com
e doces poesias:
http://docesspoesias.blogspot.com
Um beijo,
Renata
Vê o motivo do meu cansaço?

Anónimo disse...

Gostei muito deste seu palco. Voltarei.

São disse...

Olá!
A foto está espectacular.
Gosto do Romantismo, mas não é o meu período favorito.
Bom fim de semana prolongado.

Renata Maria Parreira Cordeiro disse...

Graça, por que não comentou o soneto de Shakespeare ontem? É o último ao jovem desconhedido que traduzi e publliquei.
Não entendi por quê,

Renata Maria Parreira Cordeiro disse...

Graça:
É o último pela própria obra de Shakespeare. Os 17 primeiros sonetos foram a ele encomendados por uma mulher para que ele fizesse poemas para incentivar o seu filho a se casa. Eu lancei esse livro, até pus no Blog, em cima de um soneto que vc traduziu.
Agora no Doces Poesias, vou publicar traduções publicadas em livros, em sua maioria, francesas e da língua espanhola.
Não vaid eixar de ir porque Shakespeare se acabou. Aquele espaço, pretendo dedicá-lo ao Teatro e à Ópera, mas quando estiver muito cansada, como hoje, a um simples poema.
Um beijo,
Renata

Carla Silva e Cunha disse...

beijos

carla

www.arte-e-ponto.blogspot.com

Carla Silva e Cunha disse...

adorei a pintura que escolheu
vou passando por aqui para ver as novidades

carla

Renata Maria Parreira Cordeiro disse...

Graça:
Fiz um post sobre a ópera Madama Butterfly e publiquei mais um poema.
Apareça lá amanhã.
Beijos,
Renata
PS: A ópera eu dediquei a você

Paulo disse...

Voltei para te dizer que está cada vez mais longe a hipótese se "reintegração".

Bom domingo, minha querida

Renata Maria Parreira Cordeiro disse...

Graça:
Postei a ópera Tosca e a dediquei a você e mais um poema no Poema e Canções. Já no Doces Poesias, postei um poema de uma quebequense.
Não perca.
Beijos,
Renata

Anónimo disse...

necessario verificar:)