Ensaio sobre o silêncio [imposto]...

[Luís]


Acordou cansada... não subiria ao palco, nesse dia! Sentia-se arrasada, por tanta representação sem retorno. Procurou, então, no guarda-roupa, as vestes com que habitualmente se disfarçava: doce, poderosa, grave, sensual, incisiva, meiga...

Nenhuma se adequava ao seu estado matinal. Apassivou-se. Fatigada da contínua acção do articular palavras ao vento. Refugiou-se nos bastidores. Reconhecia a importância do seu papel, sabia o quanto era fundamental, nessa peça de entendimento, que implica dar e receber, do primeiro ao último acto. No entanto, gastara-se! Antes do ponto culminante da comunicação. Unicamente.

Acordou cansada... guardaria, por algum tempo, na recusa dos ensaios, intensidades, alturas, inflexões, ressonâncias. Matizado de sentimentos?

Seria apenas voz, a preto e branco... na certeza da afonia.

43 comentários:

o que me vier à real gana disse...

Olá Graça!
Grandes saudades daqui e de todos e todas, mas daqui... mesmo muitas! A "cena" -para pegar na deixa- é que não tenho tido disponibilidade para me dedicar a uma das actividades k mais me fascinam... a escrita, claro! A net - da qual me apetece fugir a sete pés, pois sempre k abro o mail lá encontro contentores, daqueles da frente ribeirinha aí do burgo, sim!, carregados de trabalho da escola para onde me mandaram este ano, bem distante da minha casa... duzentos e tais kms/dia... do caraças! - temporariamente deixou de me atrair... sim, é temporário.
De maneira k é assim. Muito contente com a tua visita e comentário. Mais um belo ensaio nos apresentas.

Bj

Conde Vlad Drakuléa disse...

Te deixo o abraço mais apeertado do mundo! Beijocas novas minha preciosa! :*****

Whispers disse...

Minha querida Graça!
Por vezes no palco da vida temos que fazer uma pequena paragem.
Descansar de alguns actos...deixar correr o pano e não esperar aplausos.
Que saudades que eu tinha de te ler, de sentir o teu calor em tuas palavras
Graça, obrigado pelo teu carinho, sei e sinto que é verdadeiro.
Obrigado por me teres ajudado nestes dias a subir ao meu palco e gritar bem alto com a vida''TENHO TANTO AINDA PRA CONSTRUIR''
Mil beijos com carinho
Rachel

José Carlos Brandão disse...

Np palco da vida, muitas vezes queremos ser plateia.

Muitas vezes queremos ser o "ponto" - soprar o texto, sub-repticiamente

para o ator que representa o nosso papel.

Porque muitas vezes nos sentimos maus atores, queremos ser personagens de outrem

dirigidos por ainda outrem...

Um beijo meu, Graça.

Paulo disse...

Se ti percebi bem, estás sem voz, minha querida. Se te conheço ainda um bocadinho, deves estar de rastos, por não poderes falar. Como professor, sei que tratamos muito mal o nosso instrumento fundamental de trabalho, mas nunca seria capaz de o dizer como tu. Magnífico ensaio, querida Graça. (mesmo que não seja nada disto:))

Espero que as cores do sentimento voltem depressa. Beijo grande.

Teu Paulo.

sideny disse...

Graça


Linda foto.

beijinhos

Carlos Gonçalves disse...

Graça, quando vejo em ti, escuridão e nuvens, quando dizes palavras como: cansaço, arrasada, fatigada, gasta, recusa, passiva, disfarces,afonia... Algo vai mal no ensaio da tua peça da vida, são cansaços, talvez, de representar o mesmo papel, mas a palavra passiva, não a conheço em ti!
Na vida, sempre temos de lutar pelo que acreditamos, mas uma coisa te digo, em situações extremas, é melhor começar de novo do que reconstruir os destroços.

Um beijo.

Carlos

. intemporal . paulo . disse...

. da passividade dos dias em que o mundo é também estático e nefasto .

. confuso e difuso .

. porque da luta se cravam as horas na força de uma vontade única que nem sempre acontece .

. tudo tem um lugar próprio .

. e até mesmo esse se conquista .

. na reciprocidade bilateral sem zumbidos de fundo .

. oriundos das vozes sem nozes .

. a aprendizagem é empírica e de dentro, no murmúrio que se ouve, quando o silêncio acontece .

. um beijo e um bom fim de semana, Graça .

São disse...

Podemos sempre romper o silêncio.
Aliás, como o fizeste com este belo texto.

Um excelente final de semana, minhota de coração.

Brancamar disse...

Querida Graça,

Não me esqueci do teu post anterior e voltarei no fim de semana para pousar nele e neste uma outra vez, porque ando assim, tal e qual esta cena que descreves, cansada de dar e de ser forte e de faltar aos que porventura mais me merecem...num tempo que nos absorve todo o tempo da alma...
Já li aquele texto anterior por três vezes e o estado de esgotamento é tal que no fim já não tenho capacidade para o comentário, tenho vindo a ritmo de caracol, mas venho, espera sempre por mim.
Desculpa hoje não ser suficientemente forte para evitar o desabafo.
Todos nos esgotamos uma hora ou outra na vida, somos humanos e não de ferro.
Caramba, este post parece que foi feito à medida e embora não esteja em sítio onde possa ficar muito tempo a escrever não resisti a dizer-te que se não vim antes não foi por ter desistido de ti.

Tem um Bom fim de semana.
Beijinhos.

Stella Tavares disse...

Belíssimo texto! Vai nos conduzindo através dos sentimentos e até por uma ausência momentânea. Encantador!
Bjs

Aproveito para convidá-la a conhecer os meus textos infantis:
mundodashistoriasmagicas.blogspot.com
sentiria-me feliz e honrada com sua visita.

MCampos disse...

Graça, um ensaio sobre o silêncio metafórico, ou real? QUalquer que seja o caso, é sempre bela a forma como diz o que lhe vai na alma. "Apassivou-se" é um verbo forte, no sentido em que se abdica da acção e, tal como na voz passiva, fica a espera de que outro sujeito aja. O seu conhecimento do poder exacto das palavras é inegável. Por isso gosto tanto de lê-la, nada do que escreve é por acaso, cada palavra parece escolhida na carga de sentimento que pode transportar. A sua voz nunca é "a preto e branco". E os textos icónicos que completam as suas palavras são sempre magníficos. Bem haja ao Luís também, seu fotógrafo de eleição.

Um abraço sentido na admiração. Bom fim-de-semana.

RENATA MARIA PARREIRA CORDEIRO disse...

Graça querida!
Melhorou? Dói-lhe a garganta, ainda está afônica? Sonhei consigo. Subia ao palco, vestida de vermelho, com brilhos e lantejoulas, e dançava ao som de La Bohème...
Lindo Dia, Menina dos Meus Olhos,
Beijos,

PS: Recebeu as imagens? Hoje tem "Tributo a Daniel Costa"

Marta disse...

Há dias em que queremos estar mesmo nos bastidores...
Ficamos passivos até que qualquer coisa faz "click" e luta-se...então..
Texto muito expressivo e sentido...
Gostei...
Beijos e abraços
Marta

Lídia Borges disse...

Olá Graça!
Fogem-te as cores só por não poderes, momentaneamente "pisar o palco"!
É como se te conhecesse desde sempre!
Deixa a voz no aconchego dos bastidores, até que não te doa.

É fácil sentir o teu sentir neste texto, cuja expressividade nos arrebata.

Fica bem.
Um beijo

Laurita disse...

olá querida Graça, quando um artista logo ao acordar decide não subir ao palco, logo á partida tem que ter um motivo bem forte. Representar num palco é de certeza uma paixão, não ia abdicar por teimosia ou capricho. Aquela decisão só pode ter um motivo. o que se encontra no final do texto.Na vida real de vez em quando podia vir assim uma epidemia de afonia só para calar a boca a certas pessoas, pois quando a abrem, lá se vai o esplendor do verniz e da gravata. Palavras do amigo Nilson. Beijócas e bom fim de semana.

O Cantinho da Mimi disse...

Olá...

Dá uma espreitadela no meu log ;)
www.ocantinhodamimi.blogspot.com

Beijos*

Braulio Pereira disse...

querida graça.

feliz fim de semana..

romantico .

poetico.

sonhadora.

beijos de um humilde trovador..

braulio..

margusta disse...

Graça,
...quantas vezes o silêncio toma conta de nós no palco da vida, mesmo que aparentemente não surja aos olhos dos outros..quantas vezes falamos...rimos..barafustamos...e cá dentro o silêncio é tão grande que nem nos escutamos no que dizemos...quantas vezes somos actores fora de palco com os que nos rodeiam para que não se apercebam do silêncio que nos tomou a alma..e Graça sem bastidores para nos refugiarmos...

O cansaço dos dias por vezes toma-nos ssim por inteiro...

Espero Graça que no teu palco tenhas sempre retorno...de palmas, muitas palmas!

Texto sentido o teu...


Obrigada por gostares das minhas pinturas Graça :) não sei quando exponho aqui por perto, mas depois avisarei e se possivel terei muito gosto em te conhecer.

Desejo-te um bom fim de semana, com um beijinho de amizade
Margusta

f@ disse...

Olá Graça,
...
o matizado silêncio meu... a noite e o sono acordada ... o poema... o teu texto cristalino derrete o sono e ensaia o sonho...

B E L O assim qualquer ensaio im posto...livre mente...

bom fim semana

!menso o beijinho

AFRICA EM POESIA disse...

Graça
è sempre bom sentir aqui a sua presença .
A vida é uma complicação mas...temos que conviver com ela da melhor maneira possível...

Até o não subir ao palco faz parte da vida cansada. mas...temos que parar e votar a subir ao palco porque a vida tem que continuar..

um beijo e bom fim de semana

Rabisco disse...

Senti-me tentado a pedir emprestado um desses disfarces, dessas vestes arrancadas do baú e que já vestiram reis e rainhas...
Mesmo a esta hora tardia, apetecia-me por momentos não ser eu e vestir uma personagem...ainda seria hora de correr para a rua e não ser eu.
Máscaras? Abracei-as...
Deitei-as fora quando pensei que mais valia ser apenas eu...

Hoje... dava tudo por tê-las de volta...nem que fosse por um minuto apenas...

sideny disse...

Graça

venho desejar um bom fim de semana.

beijinhos

Sunshine disse...

Graça!!

Como eu te entendo ...

Sei, tenho a certeza, que a força interior que te anima irá vencer esse desanimo.

Bjinhos com mt carinho .... um bom fds, cheio de sol para afugentar essas nuvens ... :)

Everson Russo disse...

Esse me pareceu o palco da vida real, muitas vezes acordamos assim, não querendo ser quem somos, ou nao querendo representar nada naquela hora, um cansaço toma conta do coração e da alma...mas vamos seguindo em frente porque o show da vida tem que continuar...otimo final de semana pra ti querida, obrigado pelo carinho da visita,,,muitos beijos na alma e no coração.

SP disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Brancamar disse...

Bom dia Gracinha,

Depois de um merecido descanso nos bastidores e já recomposta para outros ensaios, eis-me de novo por aqui e também no texto anterior.
Não podia de forma nenhuma deixar de "esmiuçar" tudo o que escreves, que é sempre óptimo e sinto-me até ao comentar a "ensinar o Pai Nosso ao Vigário", mas os teus textos dão-me muitas vezes asas para voar, ainda que já me tenha esquecido de algumas regras.
Espero que a actriz, a verdadeira actriz, :) já tenha recuperado a voz, para gáudio dos seus pequenos espectadores, tão lindinhos...!

Um beijo grande
Branca

Babi M.S. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Babi M.S. disse...

Oilá! doce Graça!como vai?
fazia ja algum tempo que não vinha aqui....e agora que "voltei", ao ler esse ensaio, relembrei, ao sentir, a força dos seus textos, sempre bem claros numa solidão aconchegante!
E é tão bom poder ler algo profundo e de boa qualidade, reconforta!!

Obrigada pelo teu teatro escrito!

Smack!

Paulo disse...

Boa semana, querida, espero que estejas melhor, e já digas qualquer coisinha.

Beijo magnífico.

PJB

RENATA MARIA PARREIRA CORDEIRO disse...

Minha Lindinha!
Que bom que você quebra o silêncio comigo, Graça querida! (Que privelégio!)
Beijo e um abraço bem apertado,

Carlos Gonçalves disse...

Graça, com o meu pedido de desculpas pela errónea interpretação que dei a este texto, espero que o real motivo do mesmo esteja ultrapassado e tenhas uma semana feliz.
De qualquer modo, em ocasiões, é necessário uma adversidade, para se inspirarem peças tão sublimes.

Um beijo.

Carlos

Vivian disse...

...afônica e portanto dodói,
deixou-se mostrar com as palavras
da alma.
esta que não precisa de ruídos
para se fazer sentir.

tú é linda!

adoro...

beijos de primavera!

Maria Valadas disse...

Um texto de qualidade impar.. em que me deixáste suspensa e comovida.

Parabéns, Graça, Filha dos meus lugares.

Uma boa semana para ti, querida.

Beijos.

Maria Emília disse...

Minha querida amiga,
É de importância extrema ficar nos bastidores do palco da vida, de vez em quando. Só aí, a sós, poderemos impedir que a vontade da mente se sobreponha ao Ser. Só aí retemperaremos forças para continuar a desempenhar o nosso papel.
Obrigada pelas palavras que deixou no meu blog durante a minha ausência. A ausência também é boa porque dá lugar ao reencontro.
Um grande beijinho,
Maria Emília

Braulio Pereira disse...

beijos e flores para ti,

cuidate muito ternura.
desfruta a vida cada instante..
nesta valsa da vida..








beijos querida....

Inês disse...

Parabéns pelas teatrices!
Gostei das palavras, gostei do blog... Agora te sigo.
(talvez um tipo de expectador que ainda não sabe como o ser...)
Um abraço.
Inês.

Nilson Barcelli disse...

O preto é a ausência de cor, mas o branco é a mistura de todas as cores...
Em que afonia ficaste, afinal?
Desculpa a brincadeira... dupla...
Gostei do teu ensaio, ainda que tenhas pago um imposto. Que espero tenha sido suave...
Querida Graça, tem uma excelente semana.
Beijos

PS: já sei quem é o próximo ministro... os professores não vão gostar...

Paola disse...

A preto e branco... na afonia de silêncios gritados...matizados de emoções... um papel pequeno...na grandeza da representação...numa cena tão triste...outras virão... e o papel principal também... mesmo que no silêncio pormenorizadamente representado...

Beijo. Abraçado.

Whispers disse...

Querida!
Passando pra te voltar a ler, e te desejar uma semana de amor, paz e felicidade
Mil beijos com carinho
Rachel

Brancamar disse...

Trago-te uma boa noite, repousante e um beijinho, querida Graça.

Com amizade
Branca

▒▓█► JOTA ENE disse...

ººº
À parte que me toca, bela foto

isabel mendes ferreira disse...

muito bom.


mesmo!



enorme abraço!