Ensaio sobre sentimentos...

(Cerveira - foto de GMV)

Há quem sinta uma necessidade intrínseca de falar de sentimentos. Por vezes, gastam-se as palavras de tanto serem repetidas, perde-se a semântica primeira de tanto serem verbalizadas. Numa qualquer relação a dois, considera-se fundamental esse fio condutor de palavras que expressem o sentir. Fala-se muito. Discorre-se por tudo e por nada. Diz-se aquilo que se quer e, muitas vezes, o que não se quer.

Não sou dada a falar de sentimentos. Gosto mais de senti-los. Saboreá-los em presença. Recordá-los na ausência. Os sentimentos não se explicam... têm-se. Sinto-me nutrida de sentimentos. Presumo que todas as pessoas estão plenas deles. Só que a maioria pensa que tem de os mostrar pela articulação de sílabas, palavras, frases, textos autenticamente retóricos. Eu pertenço à minoria. Sou parca em palavras...

Vem tudo isto a propósito de, hoje, por um mero acaso da vida quotidiana, ter ouvido uns versos de e.e. cummings. Por breves instantes, rendi-me à evidência de que há momentos em que as palavras têm a capacidade de expressar o que nos vai na "alma"... "I carry your heart with me (I carry it in my heart)".

Tão simples!...

5 comentários:

Renata Maria Parreira Cordeiro disse...

Amiga:
Há pessoas que têm a necessidade de extravazar, como os poetas, mas isso não se explica, é preciso ser.
Fiz novo post sobre um filme que eu não sei se vc viu. Vc verá como há menos coisas postadas.
Um abraço,
Renata
wwwrenatacordeiro.blogspot.com

Anónimo disse...

Se os sentimentos forem simples, as palavras também o são.
Bom domingo amiga.
PJB

Paola disse...

Pois... e que será de nós sem sentimentos e emoções? Que bom que é tê-los e poder gritá-los ao vento, mesmo que ninguém os ouça. Mesmo que ninguém os queira ouvir. E as palavras, muitas ou poucas, servem para os expressar. Mesmo que ninguém as entenda.

Bjos

Carlo Rochas disse...

Uma quase insensatez, não passar com mais assiduidade. A expressão dos sentimentos, pelas diversas formas transitivas, fugazes e extemporâneas, são sempre, ou quase, discordantes. A riqueza teatral é possivelmente, a de poder juntar muitas das suas expressões. Falta o actor , olhar para o publico e apenas olhos no olhos, confundir , transmitir. Eu que estou entre horas de números e cálculos problemáticos. Deixa-me um pensamento bem concreto. O de intercalar-mos entre nós e o quanto nos rodeia um aparelho fotográfico, uma câmara de filmar. Sendo o momento para ser vivido com intensidade, seja ele qual for, seja ela qual for.

Um beijo de carinho.

O Profeta disse...

Eram os teus...?


Doce beijo