Ensaio pela alegoria...

[Luís]


Naquele dia, rompeu os passos pelos caminhos áridos da saudade, dedilhou as cordas desiguais de uma harpa-de-sentires esculpida no vento, comprimiu os afectos entre as margens de um coração cansado e, no meio de um devaneio onírico, decidiu fazer-lhe um poema.

Pegou na palavra "muralha", que se erguia entre os dois, e reescreveu-a em minúsculas doces: "pequena brecha"... a expressão revoltou-se, por ser pouco poética, por ser de difícil rima, por não se pretender agrilhoada em métricas-gaiolas de escansão.

Procurou grafar a "distância" no papel branco, mas fugidia e arrogante, a palavra recusou a metáfora do "não há longe". Queria manter a sua medida de afastamento consciente, não aceitaria qualquer figuração linguística.

Agarrou, então, na palavra "silêncio"... quis transformá-la numa simples perífrase dos sentimentos rabiscados na sua interioridade. Insurgiu-se a dita palavra, que não pretendia ser derrotada pela aragem breve dos dias, que se desejava denotada de mutismo, claro e sintético.

Naquele dia, pousou a caneta e desistiu do poema. Rasgou a folha em branco e lançou-a ao vento... em cada pedaço de papel viu desvanecer-se, letra a letra, a saudade... num voo sem volta.

37 comentários:

São disse...

Que nunca se desista da escrita.

Adorei o fundo musical, que não ouvia há muito tempo.

Boa viagem até Praga e dá-lhe saudades minhas, sim?

Uma boa semana, linda.

Paulo disse...

Querida, saudades tantas e agora chego aqui e leio-te saudosa. Será de mim? Escreves sempre cheia de sentimento, não mudarás nunca, tens o coração na boca, ou melhor, na ponta dos dedos :-). Amúsica sempre a propósito "fica a saudade,ai, que já não tem cura".

Beijo magnífico, querida linda.

PJB

Anónimo disse...

Lindo! Parabéns, querida!
Tudo o que vc é lindo!
Beijos muitos**********
By the way, sobre aquele assunto, sem mencioná-lo, apenas aludindo-o ad hoc, muitas vezes quem perde ganha, porque dá Amor. O Eu e daí? está lá, como sempre, porque é, yes!
Apareça, Graça!
Renata

AFRICA EM POESIA disse...

Graça

foi mesmo com tristeza que tive a noticia que não podias estar.
Pode ser que vá a Lsboa.

a vida tem sempre surpresas

Um beijinho

Lídia Borges disse...

Traz um pouco de vida solta nas entrelinhas, de tão rente ao coração.
Li e reli porque as tuas palavras me tocam sempre.

Um beijo.

Maria Carolina S, disse...

Lindo!!!
a saudade das palavras que ditas, desaparecem mas no papel são eternas...
Adorei o blog,
um beijo

Alis disse...

Muralha de gelo… essa que derrete hoje quando o Verão começa…

...

e o poeta recita o verso sempre no ! n f i n i t o do verbo
Viajar…

beijinhos

Marta disse...

No esquecimento...
O tempo brinca com as palavras, mas não as reescreve....
Saudade retratada na simplicidade da palavra....
Beijos e abraços
Marta

Nilson Barcelli disse...

Consegues, nexte excelente texto, meter-te dentro da pele de poeta. Logo, és poeta... mas isso já eu sabia, mesmo sem ter visto ainda qualquer poesia tua. Mas sei que mais tarde ou mais cedo isso vai acontecer. Porque a tua muralha vai abrir uma brecha...
Querida Graça, boa semana.
Beijos.

Ana Lucia Franco disse...

Oi Graça,

Achei interessante a proposta do blog. E a intensidade de tuas palavras.

abrs!

Mar Arável disse...

é verdade

as palavras são corpos

fugidios

mesmo quando cantam

como as tuas

Bjs

© Piedade Araújo Sol disse...

G.

uma prosa poética que é quase um poema.

achei muito bem escrito , e tem graça que o meu poste de ontem tem por titulo "o silêncio".

uma boa semana!

um beij

Amordemadrugada disse...

Tão bonito, Gracita!
Então a música nem se fala!
Saudade vai embora do meu peito...tão cansado!
Amei!
Dá-me notícias tuas de quando em vez, pode ser!?
Beso em teu coração amiguita
;)

▒▓█► JOTA ENE disse...

ººº
Passando para deixar um...

... OLÁ e um BEIJO !!!

sideny disse...

Olá Graça

Deixo-lhe um beijinho.

E desejo-lhe umas boas férias:))

Carlos Gonçalves disse...

Graça, não são saudades tuas, são saudades minhas:

'Triste falar de saudade,
Neste viver sem sentido,
Alma louca, tempestade...
Ando na vida perdido,
Nada do meu corpo é meu,
Nada do que eu sou, sou eu!'

Desculpa o fraco alinhavar de palavras, não sei mais, lamento não estar à altura da poesia do teu poema.

Beijo, doce, querida.

Carlos

ParadoXos disse...

ainda bem que estás de volta amiga, com força, com as tuas palavras, com a tua poesia em verso solto...


sem ti não teria graça!
acredita.
:-)


um beijinho, tão nosso como sempre!

Carmo disse...

Graça, obrigada pela sua poesia, pela sua sensibilidade, pela sua criatividade e sabedoria.
Um beijinho
Bom fim-de-semana

Ana disse...

As palavras têm que voar. Livres como gaivotas. Assim nascem os poemas.

Beijo para ti, Graça *

Everson Russo disse...

Jamais deve se desistir de um poema,,,ali pode estar todos os sonhos de uma alma...beijos querida e uma linda noite pra ti.

Vivian disse...

...querida linda,
eu me perdí neste teu poema
e encantada deixo beijos
desde um Brasil com frio!

Canto da Boca disse...

Que espetáculo! Imagina a cada desistência dessas, nascer uma emoção poética assim?

Graça, vc é a delicadeza em pessoa e em versos. Obrigada sempre pelo carinho e a gentileza sempre dirigidos a mim. Tê-la no Canto é sempre uma honra e uma alegria!

Beijinhos doces e ótimo final de semana!

Everson Russo disse...

Um super beijo de otimo final de semana pra ti querida...

AFRICA EM POESIA disse...

De fugida para um beijinho...

A tarde no Porto foi bonita. Gostei

Um beijinho para ti

MEU DOCE AMOR disse...

Quantas vezes não se rasgam os poemas...

Beijinho doce esperando por ti para dares a tua opinião

http://vemsonharcomigo.blogspot.com/

Gil Moura disse...

Querida Graça

Há sempre na nossa vida, um momento de paragem, para reflectirmos e voltarmos a renascer de nós, com força e vigor.

Sei que vais voltar ainda mais pujante!

Beijinhos grandes!

Mário

amordemadrugada disse...

Espero bem que voltes, mesmo!
;)

Beso Gracita

Nilson Barcelli disse...

Fugiste...?
Ah... deves ter ido de férias.
Graça, se assim for, desejo-te umas óptimas férias.
Beijos.

Brancamar disse...

Graça,

Volta mesmo, por duas razões:

Pelo meu remorso de desta vez ter sido eu a demorar-me entre afazeres e viveres vários. :)) e porque me faltas. Li este texto uma vez e só voltei passado uma semana, reli-o agora com outro espírito, menos cansado, tanto que senti nele, apesar de hoje ter feito o meu poema com espírito contrário, com a saudade sempre de volta, a saudade do que há-de ser, saudade do futuro por acontecer, do sonho sempre a renascer.
Mas, voltando ao teu texto também sei como por vezes é necessário desistir, quando a saudade deixou de o ser, não faz sentido e se desvanece assim, "num voo sem volta".
Beijos para ti.
Até breve, então...
Branca

Paulo disse...

Gracinha, não devias dar notícias? Assim não vale!

Polibek magnífico em ti. (depois dizes-me se é assim)

Naty e Carlos disse...

"Quanto mais estendermos nossas mãos ao próximo... mais Deus se aproximará de nossas mãos. "
Bom fim de semana
Bjs

AFRICA EM POESIA disse...

GRAÇA

Vim matar saudade
Um beijo

rosa-branca disse...

Olá querida Graça, peço desculpa pela minha falta, mas os ânimos não têm sido os melhores. Da obra de Pessoa não conheço muito, mas á pouco tive curiosidade em ler e reparei em algo espectacular. Ao lêr-te, tive a sensação de ler o poeta. Li um pouco de ti e depois li também Pessoa e é maravilhoso amiga. Tu, embora desencontrados no tempo és a sua alma gémea. Acho que se ele vivesse agora, teria tido a felicidade de te encontrar e encontrar-se a si próprio. Adorei ler-te amiga. Saio sempre deliciada. Beijos muitos querida amiga

margusta disse...

LINDOOOOOOOOOOOOOOOOO Querida Graça!!!


"Naquele dia, pousou a caneta e desistiu do poema. Rasgou a folha em branco e lançou-a ao vento... em cada pedaço de papel viu desvanecer-se, letra a letra, a saudade... num voo sem volta."

Um beijinho de saudades!!!

Sinto-te já de volta :):):)

AFRICA EM POESIA disse...

Graça

Com um beijo

Tenho selo para ti

Saudades

São disse...

Quando voltas?

Saudades num abraço amigo.

José Carlos Brandão disse...

O poema pode ser um voo sem volta.
Um beijo.