Ensaio sobre o 'sujeito'...

[Graça]


Mais do que ensinar poesia, gosto de pensar que ensino cada um dos meus alunos a olhar para além das aparências... a aceitar a imaginação como água livre do pensamento, na recusa de barragens sociais preconceituosas... a sentir a palavra como concha que resguarda emoções, ideais, desejos, sentimentos, revoltas, dúvidas... vida. Mais do que ensinar poesia, gosto de pensar que ensino os meus alunos a amar os poetas, a amar a sua língua.

A poesia nunca apareceu nas minhas aulas como conteúdo amordaçado por programas desfasados da realidade, nem se vestiu unicamente de aspectos teóricos sobre noções de versificação. Não se limitou a representar o papel formal que explica o que é o verso, a estrofe, que recorre à rima perfeita-imperfeita, rica-pobre, cruzada ou interpolada no estilo aprisionado do sentir... Ao longo dos anos que permanecem comigo, os meus lindinhos habituam-se a conviver com a poesia, como se fosse uma linha paralela de todos os conteúdos e temas abordados em aula. Assim, nesse caminhar lado a lado, tentamos esbater essas auréolas negativas que se cristalizaram no estudo do texto poético.

No entanto, não abdico de alguns preceitos... há palavras que sabem não poder utilizar para falar do poema ["interessante", "giro", "bom"]; há termos correctos para falar do texto [um "verso" não é uma "estrofe", uma "estrofe" não é sempre uma "quadra"]; e há um "sujeito poético" que se expressa no texto [não confundir com o autor].

Ora bem, há dias, numa aula, um dos meus lindinhos, quando corrigido, porque não devia dizer "Ruy Belo, neste poema, quer...", perguntou: "Ó Professora, mas afinal os Poetas não sentem nada? É sempre esse 'sujeito poético'?". Momentaneamente, apeteceu-me rir. Também eu considero que é difícil abstrair o poema de quem o escreveu, e das suas próprias vivências. Mas parece que os poetas preferem ser vistos como "fingidores". Não estraguemos, então, a ilusão do poeta... falemos de um "sujeito" abstracto, e admiremos tão-somente a sua arte de amar as palavras. O próprio Pessoa escreveu um dia: "O poeta superior diz o que efectivamente sente. O poeta médio diz o que decide sentir. O poeta inferior diz o que julga que deve sentir. Nada disto tem que ver com a sinceridade.[...] O meu mestre Caeiro foi o único poeta inteiramente sincero do mundo." [Sabendo quem é Caeiro... estará a dúvida clarificada?]


33 comentários:

RENATA MARIA PARREIRA CORDEIRO disse...

Olá, Graça!
Discordo de alguns pontos e vc sabe por quê. Porque leu a minha antologia, em que há um grande prefácio e um grande poema de Pessoa - seu Poeta preferido - traduzido do francês para o português por mim, poema esse que ele escreveu poucas horas antes de morrer. Acho que, nesse caso, ele não foi o Poeta fingidor, pois estava febril, e vc sabe que quando estamos nesse estado, dizemos o que nos está no subconsciente. Também, vc já me leu e sabe o que penso sobre genotexto e fenotexto. Quanto ao primeiro, ao fazer, ao traduzir um poema, entra toda a carga genética de quem o faz e de quem o traduz. No meu caso, e, tentando respeitar ao máximo um Poeta do sexo masculino, não há escapatória, por mais que eu tente. A minha sensibilidade feminina, o fato de eu ser mulher, de ser destra, de antes enxergar muito bem e agora quase nada influenciam, e muito, na escolha do poema a ser traduzido e na tradução (preferência por palavras, etc.). E eu acho muito importante que se aprenda o significante sim, ou seja, a parte material da língua, rima, rima branca, rima perfeita, rima toante, rima destoante, rima pobre, mas, sobretudo, a métrica, porque, nos dias de hoje, raros são os Poetas que sabem todos os tipos de métrica, falo no Brasil, é claro, porque em Portugal, na minha opinião, sempre se produziu e se produz a melhor poesia do mundo. Aprecio, muito, como Poetisa, aqui não é a Tradutora que fala, a poesia livre, desde que haja ritmo, coisa igualmente difícil de ser feita. É ler a poesia como se estivéssemos dançando, gingando mesmo. E, finalmente, uma coisa em que estamos de acordo: se for para escolher entre significante e significado, quando este é imprescindível para a compreensão daquele, não hesito, sacrifico o significante.
Mas acho muito bom, como base dos seus lindinhos, que vc lhes dê asas à imaginação. Que eles aprendam a parte formal depois, eles têm muito tempo pela frente.
Beijos,

Carlos Gonçalves disse...

Graça, para mim há uma diferença substancial entre o escritor-prosador e o poeta. Penso que o escritor é muito mais ficção e o poeta muito mais alma.
Eu, que não sou uma coisa nem outra, procuro retratar sempre nos meus escritos, a minha sensibilidade, a minha sinceridade, de factos reais, vivências passadas... É óbvio, também sonho, e, por vezes,escrevo o sonho na realidade.
Sim, o poeta retrata mais o seu eu, a sua alma, os seus sonhos, o prosador, busca mais a ficção, é assim como a diferença entre um actor quando representa teatro e cinema.
Um beijo.

Carlos

RENATA MARIA PARREIRA CORDEIRO disse...

Bom Dia, Graça!
Tenho quase certeza de que dormiu bem!
Quanto a mim, dormi maravilhosamente bem. Fui deitar-me às 4: 30 e agora são 6: 48.
Minha querida, deixo a vc e aos seus: meu beijo, sono, desejo, cabelo ensolorado, sonho risonho, céu estrelado e, enfim, o meu sorriso perolado, para que o seu domingo seja muito inspirado.

PS; HAI CAI MESMO, de minha autoria na Vivi, MEU JARDIM DE HAICAIS II no EU E DAÍ e O CÉU DESPENCA... (não me lembro) no POESIA DA LÍNGUA PORTUGUESA.

Paulo disse...

Bom dia, querida Graça.

Gostei muito deste teu ensaio, efectivamente, o ensino da poesia muitas vezes "assassina" o gostar de poesia. Por isso, os miúdos resistem e dizem que é muito difícil. Mas tu fazes tudo parecer tão simples.
Quanto à dificuldade em perceber o que é o "sujeito" e que ligações, ou não, tem ao poeta é talvez o mais complicado de explicar. E para mim está tudo clarificado com a frase de Pessoa :)).


Beijo magnífico, minha querida e bom domingo+feriado


PJB

. intemporal . paulo . disse...

. da operacionalidade da poesia somente lhe conheço as des.regras com que te aceno as palavras que digo e re.digo sem me amordaçar .

. da sinceridade do poeta, in.decifrável é a meta da alma que no poema solta os dias nas dimensões de uma vivência incutida .




. serão sempre os meus melhores "poemas" aqueles que não soube escrever .




. e que foram apenas a pena a tinta e o papiro para que me pudesses ler .

. as palavras não se enfeitam no preceito de uma árvore de Natal .

. o teu beijo de todos os dias, querida Graça, neste domingo de sol de Outono .

Lídia Borges disse...

Li este ensaio como quem estuda.
Afinal és professora!
Descobri que, se eu fosse poeta, pertenceria à "classe dos fraquinhos"

Mentiras

Ainda me não despi
Não falei toda a verdade.
Como falso poeta menti.
Manobrei a realidade
Em tudo quanto escrevi…

Quando penso entregar-me
Nas mãos de um qualquer poema
Uso vestes de pudor
Que ocultam o que sinto
Que encobrem minha dor.

Nunca, um poema adulterado
Tocará a alma de alguém
É um canto amedrontado
Que não cativa ninguém

E de mentira em mentira
Minha escrita vai fluindo
No ar fica o embaraço
Deste jeito com que minto


Um beijo

Lídia Borges disse...

Surpreendes-me!

Leva, usa, gasta...

Um beijo

Marta disse...

Eu começei a apreciar verdadeiramente poesia quando li o poema de Sophia de Mello Breyner "A hora da partida". Sozinha, sem interferência de qualquer professora, que e utilizando a palavra de um dos teus comentadores, "assassinaram" a poesia quando eu a estudei.
Gostei muito do teu texto e ainda bem que és uma excelente professora/comunicadora.
Beijos e abraços
Marta

P.S.: Se quiseres ler o meu comentário ao poema da Sophia, procura em Abril 2008.

AFRICA EM POESIA disse...

Graça

estou em contagem...decrescente...

Sei que vai ser fácil tem mesmo que ser...


um beijinho e aproveite estes 2 dias de feriado.

Anjo azul disse...

Quem fosse o palco que teus pés pisam;
Quem fosse a cena onde te embalas,
Ou os lábios por onde deslizam,
As palavras que tu falas.

Boa semana
Bjs
Anjo azul

O Profeta disse...

O amor procura o aconchego
Duas almas suspiram em entrega total
Explode a paixão, enlouquece o querer
O amar às vezes é pecado mortal...

...Às vezes uma intensa alucinação
Em que viajas pelo meu eu
Às vezes o mundo fica em espera
Da união do mar com o céu


Doce beijo

Voas comigo?

Sofá Amarelo disse...

Os poetas - os verdadeiros poetas, os que não procuram as palavras para 'soar' bem mas aqueles a quem as palavras saem sem esforço, são aqueles que dão cor e magia à cumplicidade da comunicação com os sentimentos...

sideny disse...

Graça

Muito bonito.

E bonita foto.

beijinhos

MCampos disse...

Graça, como não passar hoje no seu palco? Chego e leio mais uma lição magnífica dessa dádiva que é ser-se Professor. Ou ser-se Professora como a Graça é Professora. O seu ensaio parece uma aula sobre como amar poesia. Efectivamente, o mais importante é fazer com os alunos gostem de poesia, amem a sua língua. Para além das normas e regras, há que haver espaço para a imaginação. Apetecia-me ficar a falar consigo o resto da tarde, sobre essa aparente confusão entre o 'sujeito' e o autor/poeta. Eu, quando escrevo, sou sempre eu... serei poeta???

Um abraço, neste seu dia, e bem-haja por ser quem é.

Nilson Barcelli disse...

À medida que vou descobrindo a poesia, vou tomando consciência da minha ignorância.
Na escola, fui obrigado a estudar Camões e os Lusíadas (não me lembro de mais nenhum poeta). E gostei, ainda que o professor tenha sido relativamente clássico ou formal naquilo que nos ensinou. De poesia, acho que não aprendi nada. Mas aprendi alguma coisa do domínio e da beleza da língua.
Depois disso, só com os blogues (há cerca de 4 anos) é que comecei a ler e a interessar-me verdadeiramente por poesia.
Mas, confesso, sei muito pouco. Estou a precisar de umas aulas...
O meu sujeito poético, é uma enguia, mesmo para mim... ele escreve o que sente, o que deve sentir e até o que julga que deve sentir. Nunca tenho a certeza absoluta a qual dos sentires ele se refere... mesmo quando o poema fica pronto (embora esteja sempre inacabado...). Tam ele, o sujeito poético, precisará de umas lições...
Querida Graça, as tuas aulas devem ser fabulosas. Os teus "lindinhos", se não forem poetas, serão pelo menos uns óptimos leitores de poesia.
Mas... Fenando Pessoa, ao referir-se a Caeiro como o único poeta inteiramente sincero do mundo, não estaria a ser pretensioso?
Querida Graça, obrigado por este teu ensaio. Gostei de o ler, muito.
Um beijo.

RENATA MARIA PARREIRA CORDEIRO disse...

ESTE COMENTÁRIO É PÚBLICO!

CONVIDO TODOS OS QUE FREQÜENTAM ESTE BLOG A IR AO MEU, POIS ACABO DE FAZER UMA POSTAGEM SOB O TÍTULO: "A TODOS OS QUE CANTAM O AMOR NA BLOGOSFERA", COM 2 POEMAS MEUS E 1 DO EVERSON, QUE, GENTILMENTE, CEDEU UMA DAS SUAS CRIAÇÕES A MIM, COMO FAZ A QUEM LHE PEDE. O CONVITE É AOS HOMENS E MULHERES. GOSTARIA QUE FOSSEM TODOS OS QUE CONHEÇO OU NÃO FOSSEM, PORQUE TENHO VONTADE E O PRAZER DE CONHECÊ-LOS.
OBRIGADA PELA ATENÇÃO DISPENSADA.
BEIJOS,
RENATA CORDEIRO
BEIJOS,MENINA GRAÇA, QUERIDA!

Braulio Pereira disse...

nos olhos teus
caricias para mim..
dos olhos meus..
paixao para ti..


beijos..

São disse...

Oh, minha linda, deve ser uma delícia ser reu aluno/a ...

Essa tua paixão por ensinar é um encanto!

Deus te proteja.

A Magia da Noite disse...

o poeta que não escreve o que sente não fará parte do poema, não será um pedaço de si que parte em direcção aos que o lêem.

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Querida Gracinha

Hoje venho aqui com um pedido lancinante. É ele: vai ensinar o que quiseres - lá na Travessa. Mas, não faças greves - lá na Travessa.

Kisto de profs. tem que se lhe diga. No entanto, gosto tanto de ti, querida Amiga (a Raquel sabe, desafivela já o sorriso malandro da face), que até justifico as tuas faltas não justificadas...

Desce, portanto do tablado, fecha a caixa do ponto, corre os cortinas de cena, deixa o martelo em paz. Na Travessa, o teatro é teu. E mais não digo.

E lidas as minhas declarações, rectifico-as, digo, ratifico-as e assino, sem escivão. Para escriba canhestro - basto eu.

Qjs, mts

ângela marques disse...

:))))))))))

beijo, Graça

margusta disse...

Boa noite Graça,

Gostei de te ler, assisti á tua aula...apeteceu-me ficar na sala!

Tenho muito para aprender. Faz pouco mais de 4 anos que me começei a interessar a sério por poesia...e faz outros tantos que me arrisco a escrevinhar alguns poemas.
Para mim um poema tem que "mexer" comigo para eu gostar...tenho que o sentir...cá dentro!!!

O poeta está sempre envolvido...por mais que se diga que não e por mim o digo quando escrevo alguma coisa.

Beijinhos para ti e um resto de semana Feliz!

Ainda bem que gostas-te da foto...aproveito a hora do puxar das redes para fotografar e ser fotografada... nesta altura do ano as gaivotas são ás centenas...e vão em busca dos restos do peixe..é uma loucura...fazem um barulho ensurdecedor

Deusa Odoyá disse...

Olá minha amiga Graça.
Adorei seu texto.
O poeta sempre foi uma porta aberta para os sonhos.
Que seria de nós sem eles?
Minha amiga.
Uma semana de muitas realizações e paz.
Beijinhos doces da amiga.
Regina Coeli.

Vieira Calado disse...

Olá, caríssima!

Também "ensinei" poesia a putos.

O que diz do Caeiro... bom...

o que vem desse sujeito (pessoa)

é sempre uma máxima!

Beijinho

Anónimo disse...

O poeta "Pessoa" clarifica soberbamente o ser poeta.
A poesia é apaixonante. É sentida, mesmo que sem regras, não deixa de ter a sua beleza nas palavras escritas, lidas, "vividas no agora", sem escolha de preceitos.

Os teus alunos devem gostar de poesia. Basta que sejas tu, a professora.

Bj...nho

f@ disse...

Olá Graça,

Para uns a vida é um palco e para outros um espaço no “ar” onde dançam as marionetas sem a cortina abrir…


Daí o esplendor do teu palco onde por todos os cantos soa profundo o ser…
A água que corre no In verso …Inverno…onde os cristais são + duros e brilhantes… o frio…

E o beijo

Rabisco disse...

Olá Graça!
É sempre tão reconfortante e feliz poder ler os teus textos...
Esta divisão entre sujeito poético e autor por vezes não passa mesmo de um ténue véu tão fino, tão fino, que é capaz de se romper e acabar por fundir realidade e ilusão.
Na verdade, mesmo nós, muitas vezes quando escrevemos temos a esperança que exista alguém que não pense que está a ler o nosso interior e segredos...
Uma ilusão...quem sabe...
Fica sempre tanto de nós...

=)

Beijinhos

Paola disse...

... e saio...


Esqueço do Quanto me Ensinaram

Deito-me ao comprido na erva.
E esqueço do quanto me ensinaram.
O que me ensinaram nunca me deu mais calor nem mais frio,
O que me disseram que havia nunca me alterou a forma de uma coisa.
O que me aprenderam a ver nunca tocou nos meus olhos.
O que me apontaram nunca estava ali: estava ali só o que ali estava.

Alberto Caeiro, in "Fragmentos"

Beijo abraçado.

RENATA MARIA PARREIRA CORDEIRO disse...

Oi, Graça!
Tudo bem?
Ah, esta noite dormi o sono e os sonhos dos justos! Até que enfim me libertei!
Querida, estou aqui para desejar-lhe Bom Dia e dizer que gosto muito de você.
Beijos,

lupussignatus disse...

a irrigação

do

SER



*beijo*

Braulio Pereira disse...

querida graça,

oasis de prazer.

olhando..
quero complacer-te..

desfrutando..


optimo dia para ti..


beijos de ternura...

Brancamar disse...

Olá Gracinha,

Finalmente debruço-me em paz sobre este post, que de forma nenhuma podia ser comentado a dormir em pé, por isso chego tarde, mas a tempo de te dizer que és uma benção para os teus alunos.
LEebro-me de todas as regras que aprendi, que foram importantes para compreender as estruturas da poesia, que ajudam às vezes a construção de um certo ritmo, mas interpretar é um mundo muito mais vasto e o acto de criação nunca tem grades. Acho que quase sempre primeiro se cria em total liberdade e depois se pode aperfeiçoar o "objecto" criado dando-lhe uma certa forma, que pode encaixar em regras ou não, que nunca vai ser muito alterado ou só o será se a estrutura não lhe mudar nada do seu sentido inicial.
Não é por acaso que muitas vezes o crítico e o autor estão em total desacordo.
Uma coisa é ser-se ecritor, ser-se poeta, outra é ser-se especialista em limguística. Ambas importantes, mas de facto nem todos os "analistas" ou muito poucos serão poetas.
Fernando Pessoa define muito bem esta questão, o poeta sente sempre intensamente o que escreve no momento criativo, mas é efectivamente um fingidor, uma coisa não é negação da outra, porque no seu sentir existem muitos sentires à mistura, porque na sua sensibiliadde se põe muitas vezes na pele de outros e esttá a dizer o que outros sentem, sentindo-o ele mesmo com toda a alma, porque transporta para a poesia vivências, porque mesmo quando fala de si metamorfoseia os seus sentires.

Interpretar é uma arte ela mesma, belíssima e como professora tu sabe-lo, cada um pode fazer a sua própria interpretação, ainda que exista ali no texto uma base e é para o poeta e escritor gratificante que a sua obra possa ser para o leitor uma fonte de acção muito própria.
O poeta não pretende desnudar-se, mas partilhar com o leitor sentires, os seus e os deles.

Tem um Bom Domingo, Graça.
Deixo-te beijinhos

Brancamar disse...

Errata: LEebro-me - lembro-me
ecritor - escritor