Ensaio sobre o [não] dito...

[foto de GMV]

A noite fora previamente marcada, como tantas outras, para essa tertúlia que se alimenta de amizade. Durante o jantar, serviram-se as últimas novidades, partilharam-se encontros e desencontros, desejos de viagens adiadas, projectos de curto e longo prazo. Conversas de sempre... regadas a lágrimas de tanto rir.

Nunca esmorece o assunto, nestes encontros. Como a noite não reclamava ainda os braços de Morfeu, mudámos de palco, sem abandonar a vontade imensa de deixar fluir o discurso. As luzes difusas e a música compassada eram o cenário quase perfeito para o esgrimir de novos argumentos. Relações. Resolvemos falar de relações... as que perduram, indiferentes ao passar do tempo... as que se gastam, na diferença do sentir... as que se renovam, no transpor dos obstáculos... as que fingem, na manutenção do contrato assumido... as que acabam... as que nascem do nada! Acaloraram-se as vozes na defesa das diferentes perspectivas. O amor pode, ou não, acabar? Então? E não pode, também, durar eternamente? E coexistir? Há espaço para vários amores?...

O despique dialéctico poderia ter durado até de manhã... nunca teríamos chegado a um entendimento... havia muito a dizer. Como disse cada presença, em torno daquela mesa... tanto!

Contudo, no regresso a casa, nem a chuva miudinha, que caía serenamente na calçada, me "lavou" a sensação de que, no acreditar do tanto que pronunciei e defendi, calei o mais importante!
[...fica para a próxima!]

18 comentários:

Renata Maria Parreira Cordeiro disse...

Interessante discussão e asseguro que não tem fim, pois já participei de uma semelhante. Só gostaria de saber a sua opinião, que fica para a próxima.
Beijos,
Renata

Paola disse...

... no regresso a casa, nem a chuva me lavaria a sensação de me ter calado, sem, no entanto, saber se fora o mais importante. Por onde andei, disse tudo... mesmo sem importância nenhuma... Olhei.Tanto, tanto que ainda me dói o olhar atafulhado de pedaços de tempo que apanhei...

Beijo abraçado

Nilson Barcelli disse...

Tertúlias como essas são sempre agradáveis, ainda que por vezes inconclusivas. Mas o tema não era fácil, porque cada relação é única e irrepetível. A nossa, por exemplo, dependente dos blogues, etc.
Querida amiga, uma semana boa para ti.
Beijos.

Ana disse...

Gosto muito de estar convosco.
beijos goooordos

Mmanuela disse...

Também eu gosto de estar.
E o que não ficou dito, será dito!
Tem que ser dito porque tu dizes sempre e é isso que te torna especial, minha amiga!

Célia disse...

Sobre relações há sempre muito a dizer, principalmente se forem as de outros... Quanto à nossa,que é longa e para sempre, acho que não preciso dizer...Gosto muito de ti, Graça; Gosto muito de ti, Nelita;Gosto muito de ti,Ana (acredita que nunca foste excluída da nossa vida); Gosto muito de ti, Cris. Não preciso mas disse!
Bjocas

preto [e] branco disse...

Um tema de características pertinentes e onde, por muito que se "discuta", o resultado é sempre o recapitular do "início". O que mais me dói, nessas situações, é incriminar-me por não dizer o que, ainda, havia por dizer...e não disse. Ganhou silêncio, o [...fica para a próxima!].

bj..nho

Brancamar disse...

Querida Graça,

Tão interessante a tua profunda capacidade de descrever cenários, quase nos fazes adivinhar a discussão e sentirmo-nos dentro dela e o teu remate final a espicaçar a nossa opinião...não, não vou dizer que quero saber o que calaste, gosto do teu silêncio e de te ler nas entrelinhas..., as tuas palavras são sempre tão sábias e inteligentes! Mas já agora posso dizer-te que na minha opinião o Amor é sempre o mais importante e o maior de todos os sentimentos, o que dá côr à vida, pode existir de diversas formas, só temos que respeitar a forma de sentir de cada um e todos somos tão diferentes e todos temos vidas tão diferentes...!
Beijinho
Branca

f@ disse...

Gracinha....
comento apenas a chuva de molha tolos...
que eu entendo como vozes baixas... música suave... o silêncio... que tb nasce do nada r imenso de sentir...

beijinhos

Paulo disse...

Deixas-me a pensar no que terás calado... porque não és de ficar calada, certo?
"E coexistir?", não será o que fazemos todos? E bem? Apetecia-me continuar a conversa, mas fico-me pelo desejo de uma boa semana de trabalho :)

Beijos, querida Graça

PJB

Renata Maria Parreira Cordeiro disse...

Graça:
Publiquei em todos os blogs, exceto no Galeria. No Sessão da Tarde, reeditei a resenha do filme Excalibur, essa vc não conhece, pois foi uma das primas e umas das 4 que sobraram. No Tristão, publiquei um poema e republiquei a resenha de Fanny e Alexandre. Só vou pensar no amanhã, amanhã.
Beijos,

Whispers disse...

Olá!

Depois de uma longa ausência,voltei ao palco da vida

Lendo com atenção teu post,me deixou a pensar,em bom sentido.

Por vezes deixar o melhor por dizer é uma sabedoria interior que nos acompanha
beijinhos
Rachel

Renata Maria Parreira Cordeiro disse...

Não vem ao meu cato despedir-se de mim?
Beijos,
Renata

ângela marques disse...

... é sempre interminável este tema


beijo

o que me vier à real gana disse...

... E hás-de dizê-lo, Graça, hás-de sim!

Abordagem verdadeiramente observadora, conducente a ilações saídas de cruzamentos de informação, logo científica... da temática " Relações".
Excelente retórica e, acredito, não menos qualidade na dialética esgrimida nessa assembleia.
Gostava de tertuliar convosco!
Se um dia descer o Tejo...
Bj

Alexa disse...

Esse tema é uma discussão infindável .O amor pode não acabar ,pode durar eternamente e pode também coexistir. O coração é grande cabe lá mais que um amor.

beijinhos

O Profeta disse...

Uma mesa onde não foram servidos os pensamentos...


Ó chamateia que fala da saudade
Ó canção que pões um brilho nos olhos
Ó mulher que tens a forma da viola
Ó que espalhas paixões aos molhos

E o cantar da meia-noite
A todos encanta e seduz
Cantar até que morra a voz
Cantar até que haja luz


Vem tocar uma Viola de dois corações



Mágico beijo

lili laranjo disse...

Deixo com carinho


CORAÇÃO


Dentro do meu peito, pequenino
Não há só veias, artérias ou sangue.
Dentro do meu peito, abrigado
Existe um coração que vai batendo…

Batendo, contra tudo e contra todos
Batendo e amando tudo, ao redor
Mas batendo e sofrendo a toda a hora
Pois ama e suspira por amor…

E será que vale a pena ele suspirar?
Será que vale tanta pena e tanta dor…
Porque haverá o coração de ser sempre
A peça que dentro de nós mais sente a dor?

Porque haverá o Amor que é tão belo…
De ser o que de pior no mundo existe?
Porque será que com tanta dor
Eternos amantes serão sempre o coração e o amor…


Lili Laranjo