Ensaio sobre lobos...




Costumo dizer aos meus alunos que um bom título deve obedecer a determinadas características. Afinal, ele pode ser a chave que põe a descoberto a polissemia de um texto.

No entanto, nem sempre é assim. Muitas vezes, quem escreve resolve trancar a porta com fechadura inviolável. Ao invés de orientar o caminho a percorrer por entre as palavras, prefere colocar as grades do difícil acesso. Nesses casos, chega-se ao final do escrito e nem se compreendeu muito bem o que se passou na mente do autor para intitular o seu texto daquela forma.

Serve o intróito para dizer que não vou falar de lobos. Apesar de reconhecer que esse mamífero selvagem merecia, sem dúvida, um qualquer ensaio. Mas não. Não me apetecem extinções, nem alcateias, muito menos uivos, ou olhares traiçoeiros.

Aliás, serve somente a introdução para assumir que não vou falar de nada... nada sobre ensaios, nada sobre palcos... não farei analogias gastas com a vida... omitirei personagens e papéis... passarei ao lado de cenas e actos repetidos.

Na verdade, só pretendia escrever que, hoje, por acaso, embati numa frase de Erasmo de Roterdão... e pronto! Imbuída dessa certeza de que existem aforismos intemporais... crente nessa veleidade que por vezes me habita... concebi que tinha sido feita à minha medida, a frase, entenda-se: "O lobo talvez mude a pele, mas nunca a alma."

Por momentos, senti-me uma loba... longe da sua alcateia, mas conscientemente cumprindo a sua alma.

4 comentários:

Vieira Calado disse...

Erasmo de Roterdão!
Foi coisa que eu li, nos meus dezasseis anos e tanto me influenciou!

;)

Como também fui professor (de Português e de Inglês), e embora esta ministra não estivesse ainda lá,
não me admira nada que queira pôr os professores a ir trabalhar, aos Sábados!
...Que, penso que seja esse o dia em que apresentarei o livro.

Muito obrigada pelo seu interesse neste meu conjunto de poemas.

Beijinhosss

Paulo disse...

Até nos podem arrancar a pele, minha querida amiga e distante (mas sempre perto)colega, mas a alma não.

Bjo e boa noite
PJB

Paola disse...

Os lobos são leais... até na pele e, sobretudo, no uivo. Não usam disfarces, nem mudam o instinto... Também eu queria ser loba, não sei se por causa da alma, antes para morder. Os lobos mordem?

Renata Maria Parreira Cordeiro disse...

Sob a pele do lobo existe um cordeirinho manso, a nossa alma (ou outro nome qualquer).
Graça:
Ontem foi a minha audiência do processo que movi contra o meu editor que me deve muito dinheiro, mas caí em contradição, estou péssima. Dormi até a 1 e meia de amanhã, levantei-me e tomei uma dose considerável de barbitúricos para dormir. Como não consegui, fiz um post. Gostaria que fosse apreciá-lo. É uma maneira de ter os amigos perto de mim.
Um beijo,
Renata