Há dias...

Quando o pano abre devagar, numa qualquer sala de teatro, os espectadores tentam rapidamente perceber o cenário, No espaço ainda vazio, antecipam-se actores disfarçados de personagens. A peça começa... o pano é esquecido!
Há dias em que, no palco da vida, o pano devia manter-se, na sua verticalidade de pregas de veludo, fechado. A peça não está pronta. Os ensaios correram mal. Faltam adereços no cenário. A encenadora não tem vontade de ouvir as mesmas falas, repetidas à exaustão, na busca da representação perfeita.
Há dias, nesta encenação real, em que as deixas deixam tudo a desejar. Em que as palavras que se escreveram não previam a reviravolta dada pelos actores.
Há dias em que se devia representar sem abrir o pano. Porque o fracasso é previsível. E o cansaço também!
Há dias assim...

8 comentários:

Nilson Barcelli disse...

Há dias em que o palco é uma babel... onde cada um representa um papel que pouco tem a ver com o que é real e importante.
E isso acontece porque os actores são coxos das ideias (e são tantos) ou porque estão num dia não (o que não é grave, acontece aos bons...).
E um actor apenas, não faz uma representação. Ainda que seja um monólogo. Muito frequente, de resto, nos que nem respondem às falas e falam para se ouvirem a eles próprios.

Beijinhos (em diálogo)

Anónimo disse...

A previsibilidade de um fracasso anunciado porque preparado não pode, não deve, prender o pano e, mesmo se o tempo não foi o necessário mas o possível, mesmo se os adereços nos foram ofertados sem hipóteses de recusa, mesmo se os ensaios foram atribulados e exigiram ajustes desajustados, a peça tem de expor-se à crítica porque sempre é melhor a polémica que a cobardia, a prepotência que a hipocrisia, a aniquilação que a indiferença e é, acima de tudo, o melhor teste de revelação dos actores.
Também, nada pode impedir o teatro da vida...
Bj
Emília

GMV disse...

Não gosto de responder a comentários, mas achei curiosa a leitura perfeita das minhas palavras.
Nilson, sem conheceres o contexto, gostei da adequação das tuas palavras. Podia, sem dúvida, tê-las feito minhas...
Emília, minha querida amiga, que respeito e adoro como a uma mãe, conheces o contexto És um ser humano lindo e agradeço-te fazeres parte da minha "peça".
Beijos "(em diálogo)" para os dois.

sp disse...

Há dias sozinhos ou que nos parecem tão sozinhos como naquele post do meu sítio peludo...

Um bejinho e boa noite.

("Não gosto de responder a comentários"... porquê???)

Anónimo disse...

O cansaço por vezes faz-nos querer fechar o pano. Mas nem sempre é bom. Um dia de cada vez, minha amiga.
Um abraço
PJB

sp disse...

Agora sei porquê!

Agradeço assim a explicação particular nesse gesto.

Boa noite :)

Renata Maria Parreira Cordeiro disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
GMV disse...

Renata, peço desculpa por ter apagado o seu comentário. Fui visitá-la e deixei-lhe umas palavras.