Ensaio sobre o "desassossego"...


(Milfontes - foto de GMV)

Diz o dicionário que "desassossego" pode significar "alvoroço". Claro que esse livro pleno de significados apresenta outras possibilidades de entendimento. No entanto, hoje, desejo o "alvoroço"! Mas o "alvoroço" que se recria no "entusiasmo", não me apetece o outro da "inquietação". A extensão do ensaio podia ser cansativa, se continuasse nesta justificação desnecessária da escolha da palavra. Desassossego. Só!
Sossegadamente, tenho dedicado o meu (escasso) tempo livre à releitura desse livro tão Pessoano que é o Livro do Desassossego. Já aqui expliquei o quanto gosto de reler. O quanto considero um acto de amor essa busca sistemática de algo que já é nosso. O livro. O texto.
Tornar a ler é sempre ler pela primeira vez. A apreensão de sentidos é diferente. A escolha do melhor excerto é distinta. E o amor cresce... alicerça-se nas fundações criadas pela primeira leitura. 
Existem frases que ganham novos contornos. Há palavras que se agigantam, quando outrora passaram despercebidas. Sei que a interpretação é subjectiva, mas não será isso a beleza da literatura?
Estas palavras perdidas para deixar um pensamento de Bernardo Soares "O mundo é de quem não sente."
À distância curta de mais um início de espectáculo, neste palco escolar, tenho a perfeita consciência de que, felizmente, o mundo nunca será meu!


8 comentários:

O Profeta disse...

Sabes querida amiga!? Eu tive de criar um mundo só meu para ser um pouquinho feliz...~



Doce beijo

neo-orkuteiro disse...

Vim conhecer-lhe o blog e já gostei do esvoaçado dos cabelos da foto. Aqui, discute você sobre alvoroço e diz mais. E o palco, enfim. Jamais serei dono do mundo por razões outras, mas também pela sua. Gostei.

Paulo disse...

Do que te conheço, sei que o mundo nunca seria teu. Olha, nem meu.
Beijo
PJB

Whispers in night disse...

Ola querida!
Que saudades que tinha de te ler:(

Sim o mundo nao e nosso, mas podemos ao menos roubar um bocadinho e tentar ser feliz.

Desejo que tenhas um fim de semana muito bom

beijinhos
Rachel

Carlo Rochas disse...

Bientôt la fin de septembre, la fin de l’été, l’été Indien que je n’ai jamais connu ou écouté, un mois que j’ai connu et vécu à plusieurs reprises comme la fin d’une saison, je le vis cette année, comme un début de cycle. Le passage d’une contemplation, d’un spleen considéré à une recherche, je ne sais de quoi, ou où. Serait-ce l’effet des huiles ou des ébauches des pin-ups, ou ni l’un ni l’autre. Juste le temps d’un mois. Un regard.

Mille baisers.

Renata Maria Parreira Cordeiro disse...

Venha sempre ao meu Blog. Você á a minha convidada especial, mas deixe comentário com nome (siglas).
Um beijo,
Renata Cordeiro

mundo azul disse...

...O livro do desassossego é meu livro de cabeceira! Gosto demais de Fernando Pessoa...

Reler é sempre muito bom! Como você mesma diz, há sempre interpretações diferentes naquilo que lemos pela segunda (3ª,4ª.....)vez. Afinal, nós estamos em constante mutação...


Beijos de luz e o meu carinho!!!

Renata Maria Parreira Cordeiro disse...

Por motivos horríveis que não pude contornar, fui obrigada a fazer um post cala-boca. Pegue suas flores, não é preciso ler tudo.
Um abraço,
Renata
wwwrenatacordeiro.blogspot.com