Ensaio racional...

(foto de GMV)

Neste momento do ano, e na ausência do verdadeiro alimento de quem é professor, os dias preenchem-se com papéis, reuniões, papéis, exames, papéis, relatórios, inventários, e claro, papéis.

Nos intervalos roubados à vontade de quem manda, fica o espaço para o diálogo. Sobeja tempo para grandes almoços, onde as conversas não se afastam dos assuntos escolares. Sobra o espaço também para o lanche, para os caracóis molhados de cerveja, para os cafés que nunca se rejeitam. E o "palavreado" flui ao sabor dos argumentos. Esgrimam-se ideias, defendem-se posições, exige-se razão... Tenho, ou não tenho, razão?

Verdadeiramente, queria chegar aqui. Sou acérrima defensora dos meus ideais, com tenacidade exponho as minhas ideias, mas...

Hoje, num momento de encontro comigo, numa discussão silenciosa que surgiu no meu pensamento, tentei o exercício do racional. Despi emoções, sentires, opiniões, e, na nudez da razão, tentei compreender.

O silogismo parecia perfeito, senão vejamos. Vivo numa sociedade de direito (?) onde considero que o tenho. Direito de expressar a minha opinião, de fazer valer a minha vontade.

No calor da discussão, não gosto de ser contrariada. Então e o outro? Não terá os mesmos direitos? Porque razão a minha razão deverá ser entendida como mais certa do que a do outro? Se a minha opinião deve ser levada em conta, porque tenho esse direito, o que fazer da opinião do outro?

No meio de toda esta retórica infrutífera, consciencializo-me de que, talvez, eu não tenha tanta razão. O impor das minhas ideias não será um acto de ditadura disfarçada de "eu tenho direito"?

Serei ditadora? Quem me deu o direito de negar o direito do outro?

Bom, estou num dilema. Tudo por culpa da peleja que se alojou no meu pensamento.

Racionalmente, gosto mesmo é do dito "O coração tem razões que a própria razão desconhece". Sou coração no falar!

3 comentários:

Paola disse...

Às vezes, as pelejas são importantes... Direi que são mesmo importantes. Que não nos retirem a capacidade de pensar. Por nós e pelo outro que também existe.

Bjo

Anónimo disse...

Continuas a gostar de Kumpania? que bem escolhido, fica bem com o teu ensaio. "quero a faca, quero o qeuijo, quero aquilo que não vejo, quero aquilo que não posso".
beijo
Paulo

O Profeta disse...

E este Sol impõe a claridade
Pôs no celeste a Lua a bocejar
Perdi a conta das estrelas no céu
Ergui-me em bicos para as contar


Voa comigo sobre as emoções

Boa semana


Mágico beijo