Ensaio sobre figurantes...


Quando, no decorrer do estudo do texto dramático, explico aos meus alunos o papel dos figurantes, eles não compreendem. Ou melhor, não aceitam que assim seja. Aclaro a ideia, recorrendo à possível importância das ditas personagens, para a composição de um cenário, para o entendimento de uma cena.

Definitivamente, não aprovam! Bem podia passar as minhas aulas centrada na concepção de personagens, no relevo do papel, que nem assim entenderiam.
Então, ó Professora (nunca percebi a necessidade da interjeição! estou atenta, sempre!) como é que uma personagem que não fala é importante?
Não desarmo! Retomo a explicação. Mas, ó Professora, se é para compor o cenário, porque não usar bonecos?

Sorrio. Compreendo o dilema. É difícil, sim, perceber a personagem que unicamente combina com adereços e afins.

Hoje, em mais uma reunião, talvez a milésima do ano, porque já lhes perdi a conta, lembrei a aula e o não-entendimento voluntário dos meus lindinhos. No palco do ajuntamento de docentes, dei por mim, nesta quase inerência do olhar de Encenadora, a observar o "cenário". E lá estavam as eternas personagens figurantes, ignorando a deixa, vivenciando o compor da cena, estáticas (no receio da má representação), enfim: caladas! impossibilitadas de falar, por ausência de ideias? de opinião? de interesse?...

Comprometi-me, naquele instante, a nunca mais tentar convencer os meus meninos de que os figurantes têm tanta importância como as outras personagens. Se aqueles não estivessem no cenário, a reunião talvez pudesse ter sido denominada de reunião.

2 comentários:

Ana disse...

Adorei.Como eu gostaria de ser assim...

Paola disse...

Há figurantes assim... uns integram-se no cenário, completam-no. Outros nem deram conta que a cena é outra... talvez porque estejam distraídos ou porque sejam maus actores ou porque não gostem de teatro... vamos lá saber!!

Bjos