Convites...(ou a Liberdade!)

(foto de Luís AT)


Diz um ditado popular "Tão perto e, ainda assim, tão longe". Imbuída deste pensamento simples, resolvi viver estes dias, tentando quebrar a verdade do dito. Fui arejar para outras paragens. As distâncias somos nós que as fazemos. Quantas vezes, na proximidade de quem está ao nosso lado, não sentimos um abismo que nos separa? E, pelo contrário, quantas vezes, na ausência de quem está longe, não sentimos o seu carinho, o seu respirar à lonjura do nada?

Nesta minha cidade de acolhimento, fiz amizades que constituem as fundações, os alicerces, deste meu viver. Contudo, tenho outras, mais longe, e ainda assim tão perto. Fui. Não falei de escola, nem de alunos, de decretos, de gestão, não partilho essa parte da minha vida com as pessoas com quem estive nestes dias. É bom. Faz bem, à minha saúde mental, falar de outros assuntos, partilhar outros sentimentos.

Limitei-me a pôr outras relações em dia... e a receber convites! Diz o dicionário que um convite é uma dádiva. Ora bem, regresso cheia de dádivas, desses momentos que sabem bem, que completam as eventuais faltas dos nossos dias. Dádivas simples: convite para jantar... fui; convite para almoçar... fui; convite para o cinema... fui (Indy, sempre extraordinário, porque Harrison Ford)... convite para Rock in Rio, dia 1 de Junho, não vou, lamento, mas já fui convidada para ir no dia 31, (dois dias seguidos na cidade do rock seria demais)! Depois outro, daqueles que surgem, porque surgem, e que eu aceito, sabe-se lá porquê. Fim-de-semana em Barcelona... irei, mesmo sabendo que... como tenho ido, sempre que para tal sou chamada, como fui a Amesterdão, como fui... enfim, são outras facetas desta minha vida que não é assim tão pública, quanto isso. O palco é bom, mas, por vezes, é necessário fechar o pano...

Foram dias cheios, sem dúvida, de outras conversas, de outras emoções, de outros sentimentos...

Domingo à tarde, e quase de regresso ao espaço que é meu, a esta cidade de que aprendi a gostar, tive vontade de fazer um convite... para café, talvez. Não fiz. Não gostaria da eventualidade de que alguém pudesse recusar a minha dádiva.

Cheguei. As energias foram repostas. Estou pronta para mais ensaios.

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Post scriptum: a net tem coisas maravilhosas! Obrigada!

Hoje, acordei com uma música na cabeça. Acontece-me frequentemente... são as memórias dando sinal de vida. No entanto, não consegui lembrar a totalidade da letra, os acordes da música. Afinal, há mais de 15 anos, talvez, que não a ouvia. Há pouco, quando cheguei a casa, fiz uma pequena pesquisa. E aí está ela... maravilhosa "Liberdade". Deixo-a soar neste meu espaço... registo-lhe as magníficas palavras... alimento a saudade.

Arde
Arde
Sincero silêncio
A Liberdade
Só tem um momento
Arde à vontade
Alta procura
Fica a saudade
Ai, que não tem cura
Canta
Canta
A chama da vida
A Liberdade está quase perdida
Canta à vontade
Alto e bem sem medo
É a saudade
Ai, quem guarda o segredo
Calma
Calma
Que já se avizinha
A Liberdade voltando sozinha
Vem à vontade
Que eu espero acordado
Tenho a saudade
Ai, sempre do meu lado

2 comentários:

Paola disse...

Para revigorar um pouco, para quebrar monotonias, para rasgar rotinas... basta olhar para o arco-íris!Tem tantas cores. Depois, podemos sempre apagar e colorir de novo...

Deusa Odoya disse...

minha amiga.
lindo seu texto.
e como professora soube expressar bem TEATRICES.
Fique em paz.
boa semana para vc, com muita paz e amor em seu coração.
Um abraço nesse pais lindo.
beijos da nova amiga.

Regina Coeli.
Te aguardo no meu cantinho.