Ensaio sobre a nudez



O ensaio de hoje, neste humilde palco da minha existência, resulta de um olhar sobre o mundo... sobre as pessoas que nos rodeiam... sobre as palavras não ditas.

Um mundo cada vez mais recheado de personagens que se querem frondosas, que querem estreias eternas, em salas cheias, com aplausos de pé.

O nosso mundo "dramático", porque teatral, está repleto desses semi-actores, que se iludem no verde das folhas perenes, na beleza caduca, como diriam os meus alunos.

Ora vejamos. Um dia a folha cai. O que resta então?

A nudez dos troncos que somos. Verdadeiramente feios, porque despidos de ornatos falsos. Naturalmente retorcidos, porque preenchidos de memórias. Essencialmente sólidos, porque o depositário da nossa existência.

A verdadeira nudez é a claridade que ofusca o palco, de cenário em fundo negro, impondo a sua sabedoria de experiência feita.

Deve ser por isso que "as árvores morrem de pé".

Desejo que, um dia, antes de fechar o pano, no final da peça da minha existência, me vejam como a árvore que sou, sem a frondosidade das folhas, com os meus ramos retorcidos e sinceramente nua.
(sobre uma fotografia de JGF)

1 comentário:

célia disse...

Como uma fotografia pode ser motivo de inspiração!!! Tal como o tronco da árvore "despe-te" das palavras que são as tuas folhas. Mostra-te!...Pode valer a pena!